Robson “Peixe” e a emenda de Flávio Bolsonaro ao instituto Ifop
Em 2023, Flávio Bolsonaro destinou uma emenda de R$ 199.999,79 ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), no Rio. Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que o pedido foi feito ao gabinete por Robson Calixto, o “Peixe”, condenado em 2026 pelo STF no processo sobre o assassinato de Marielle Franco. O caso é investigado na Operação Emendatio, em que Flávio é citado.
Sob investigaçãoPasta 3 · Senado · 2023 a 2026Atualizado em 25/09/2026
Ex-policial militar, condenado pelo STF em 2026 por fazer a ponte entre executores e supostos mandantes do assassinato de Marielle Franco.
Ifop
Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio, na Taquara, Zona Oeste do Rio.
Operação Emendatio
Investigação da Polícia Federal no STF sobre o direcionamento de emendas parlamentares.
Os fatos, um a um
08SOB INVESTIGAÇÃO
R$ 199.999,79 para um instituto na Zona Oeste do Rio
Emenda parlamentar é um pedaço do orçamento federal que cada deputado ou senador pode indicar para uma cidade, uma obra ou uma entidade. É legal e todo parlamentar faz. O que importa é para onde vai o dinheiro e como ele é usado.
Em 2023, Flávio destinou R$ 199.999,79, pelo Ministério do Esporte, ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), para um projeto chamado “Jogadores do Futuro”, com crianças no bairro da Taquara, no Rio. O dinheiro caiu em 29 de novembro de 2023.
Em 2025, o TCU, tribunal que fiscaliza o dinheiro federal, encontrou sinais de irregularidade. O instituto contratou, para coordenar a parte esportiva, um escritório de advocacia cujo dono é o próprio presidente do instituto, e parte da verba foi para esse escritório. Flávio diz que a emenda seguiu a lei e critérios técnicos, e que a responsabilidade por usar bem o dinheiro é da entidade.
Robson Calixto Fonseca, o “Peixe”, é ex-policial militar. Em fevereiro de 2026, o STF o condenou a 9 anos de prisão no processo sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 2018. Segundo a condenação, ele fez a ponte entre os executores do crime e os supostos mandantes.
Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que, em outubro de 2023, Peixe pediu a uma secretária parlamentar do gabinete de Flávio a verba para o Ifop. Ela respondeu “Pode deixar” e sugeriu que ele reforçasse o pedido com o senador num evento. Depois que o dinheiro saiu, entre outubro e novembro de 2023, Peixe seguiu cobrando novos repasses, que não aconteceram.
Marielle Franco, vereadora assassinada em 2018. Foto: Mídia Ninja / CC BY-SA 2.0
O pedido de ingressos de camarote investigado pela PF
A investigação da PF que encontrou essas mensagens se chama Operação Emendatio, autorizada no STF. Segundo a polícia, a secretária do gabinete pediu a Peixe “4 ingresso para um camarote no Sambódromo”, e ele conseguiu os ingressos com um empresário da região.
Para a PF, isso pode ser uma vantagem indevida, que é receber um favor em troca de uma ajuda feita com o cargo público. Flávio é citado no inquérito, mas não foi alvo de mandado de busca.
Sambódromo do Rio, vista aérea. Foto: Donatas Dabravolskas / CC BY-SA 4.0
“A emenda foi destinada dentro da legislação vigente e dos critérios técnicos.” Flávio acrescenta que a responsabilidade pela execução do dinheiro é da entidade que recebeu.
Sob investigação. Inquérito da PF em andamento no STF.
Perguntas frequentes
Quem é Robson “Peixe”?
Robson Calixto Fonseca, ex-policial militar condenado pelo STF em fevereiro de 2026 a 9 anos de prisão no processo sobre o assassinato de Marielle Franco. Em 2023, pediu ao gabinete de Flávio Bolsonaro a verba de uma emenda para o instituto Ifop.
O que é a Operação Emendatio?
Investigação da Polícia Federal, autorizada no STF, sobre o direcionamento de emendas parlamentares. Nela aparecem as mensagens sobre a emenda ao Ifop e o pedido de ingressos de camarote.