Escolha uma bola
O resumo aparece aqui, com um atalho para a ficha completa.
20 bolas no ar ao mesmo tempo.
Fabrício Queiroz, Adriano da Nóbrega, a emenda ao Ifop, Daniel Vorcaro e o Banco Master, o filme Dark Horse, o fundo Havengate, a casa no Lago Sul e a CPI da Covid. Um arquivo organizado com datas, decisões, documentos e a posição de Flávio Bolsonaro sobre cada assunto, em linguagem simples e com a fonte de cada informação.
Cada bola é um assunto documentado. Toque numa delas para ver o resumo e abrir a ficha completa. A cor do anel mostra a situação: amarelo para o que está sob investigação, verde para registros públicos que não são processo e cinza para caso arquivado ou ação rejeitada. A seta mostra que o nome dele aparece ligado ao assunto, não que houve condenação.
No celular, as bolas mostram só o número. Toque numa delas para ver o nome e o resumo.
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As 20 bolas estão guardadas em seis pastas, uma para cada história. Abra uma pasta para ler a explicação completa, o que Flávio diz e em que pé está cada caso. Cada bola abre uma ficha própria, com todas as fontes.
Esta é a história mais antiga e mais conhecida. Entre 2003 e 2019, Flávio foi deputado estadual no Rio de Janeiro. Como todo deputado, tinha um gabinete com funcionários pagos pela Assembleia Legislativa, ou seja, pagos com dinheiro público.
Em 2018, um relatório do Coaf mostrou que um desses funcionários, o assessor Fabrício Queiroz, movimentava muito mais dinheiro do que ganhava. A partir daí, o Ministério Público do Rio passou dois anos investigando e chegou a uma conclusão: segundo os promotores, funcionários do gabinete devolviam parte do salário, Queiroz recolhia o dinheiro, e esse dinheiro era depois “lavado” numa loja de chocolates e em negócios com imóveis.
A acusação foi apresentada à Justiça em 2020. Ela não chegou a ser julgada: tribunais superiores anularam as provas principais, e a denúncia foi rejeitada em 2022.
Flávio sempre negou as acusações. Em abril de 2026, chamou o caso de “espuma” e de “ataque para tentar destruir minha reputação”, e disse que nunca respondeu a processo criminal por isso. Afirma que Queiroz tinha autonomia sobre parte da equipe e que cobrava salários sem o conhecimento dele.
Milícia, no Rio de Janeiro, é o nome dado a grupos armados formados em boa parte por policiais e ex-policiais que dominam bairros, cobram “taxas” de moradores e comerciantes e exploram serviços como gás, transporte e internet. São organizações criminosas.
Esta pasta reúne dois fatos públicos que ligam o gabinete de Flávio a Adriano da Nóbrega, ex-capitão da PM que depois foi apontado como chefe de uma dessas milícias. Nenhum dos dois é um processo contra Flávio. São registros que aparecem em documentos da Assembleia e que foram examinados dentro da investigação das rachadinhas.
Que, na época das homenagens, Adriano era visto como policial exemplar, e que a contratação da mãe e da mulher dele foi indicação de Queiroz. Também diz que falas antigas dele sobre milícias foram tiradas de contexto.
Já como senador, Flávio indicou uma emenda de quase R$ 200 mil para um instituto na Zona Oeste do Rio. Quem pediu esse dinheiro ao gabinete foi Robson Calixto, o “Peixe”, ex-policial que em 2026 seria condenado pelo STF no processo sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco.
As mensagens entre Peixe e uma secretária do gabinete foram encontradas pela Polícia Federal na Operação Emendatio, que corre no STF. Nelas aparece também o pedido de quatro ingressos para um camarote no Carnaval. O TCU, por sua vez, encontrou sinais de irregularidade na forma como o instituto gastou o dinheiro.
Que a emenda “foi destinada dentro da legislação vigente e dos critérios técnicos” e que a responsabilidade pela execução do dinheiro é da entidade que recebeu.
Esta é a pasta mais recente e a mais cheia. Tudo gira em torno de “Dark Horse”, um filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. Para fazer o filme, Flávio pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Meses depois, o banco foi fechado pelo Banco Central e Vorcaro foi preso. No celular dele, a Polícia Federal encontrou as conversas sobre o filme.
Buscar patrocinador para um filme é normal. O que a polícia quer entender é outra coisa: de onde saiu esse dinheiro, por que ele passou por uma empresa intermediária e por um fundo no Texas ligado ao círculo de Eduardo Bolsonaro, e se alguém ofereceu algo em troca. Em julho de 2026, o STF autorizou um inquérito sobre isso.
Que foi patrocínio privado para um filme privado, com “zero” dinheiro público ou da Lei Rouanet, e que os recursos foram integralmente para a produção. Nega ter oferecido vantagens a Vorcaro.
Em 2021, já senador, Flávio comprou uma casa grande no Lago Sul, em Brasília, com financiamento de um banco público, o BRB. A compra chamou atenção por três motivos: o valor, as condições do empréstimo e a velocidade com que a dívida foi paga.
Diferente das outras pastas, esta não tem investigação criminal. Houve uma ação popular, que é quando um cidadão pede à Justiça para anular algo que considera prejudicial ao dinheiro público. Em 2025, a Justiça do DF considerou o empréstimo regular. Depois disso, porém, surgiram fatos novos, como a prisão do presidente do BRB que aprovou o crédito, num inquérito sobre o Banco Master.
A CPI da Covid foi a comissão do Senado que, em 2021, investigou como o governo federal agiu durante a pandemia. Ao final, a comissão aprovou um relatório com pedidos de indiciamento de dezenas de pessoas, incluindo o então presidente Jair Bolsonaro e o próprio Flávio.
Uma CPI não julga ninguém. Ela reúne informações e manda suas conclusões para quem pode acusar, como o Ministério Público.
Há um inquérito aberto. Em 22 de julho de 2026, o ministro André Mendonça, do STF, autorizou um inquérito da Polícia Federal sobre o dinheiro do filme Dark Horse, pago por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Flávio também é citado no inquérito da Operação Emendatio, sobre uma emenda destinada ao instituto Ifop, no Rio.
Dark Horse é um filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. Flávio pediu dinheiro a Daniel Vorcaro para a produção. Segundo a PF, conversas no celular de Vorcaro atribuem a Flávio um pedido de US$ 24 milhões, e um delator relatou remessas de US$ 12,3 milhões a um fundo no Texas. Flávio diz que foi patrocínio privado, sem dinheiro público, e nega ter oferecido vantagens.
Em 2020, o Ministério Público do Rio acusou Flávio de comandar, quando era deputado estadual, um esquema em que funcionários do gabinete devolviam parte do salário. As provas principais foram anuladas pelo STJ e pelo STF em 2021, e a denúncia foi rejeitada em 2022. O mérito nunca foi julgado.
A emenda de R$ 199.999,79 ao instituto Ifop foi pedida ao gabinete de Flávio por Robson Calixto, o Peixe, ex-policial condenado pelo STF em 2026 no processo sobre o assassinato de Marielle Franco. As fontes consultadas não apontam Flávio como investigado no processo do assassinato.
Até 24 de setembro de 2026, nenhum destes assuntos terminou em condenação. Isso também não equivale a uma absolvição: nas rachadinhas, as provas caíram por falha de procedimento, e os casos Dark Horse e Emendatio seguem abertos.
Em 2021, Flávio comprou uma casa de cerca de R$ 6,2 milhões no Lago Sul com R$ 3,1 milhões financiados pelo BRB, e quitou a dívida em 2024. Uma ação popular questionou o empréstimo e foi rejeitada em julho de 2025. Em 2026, o presidente do BRB que aprovou o crédito foi preso em um inquérito sobre o Banco Master.
Em 22 de setembro de 2026, o ministro Kassio Nunes Marques, do TSE, deu 24 horas para o Instagram tirar do ar um vídeo que ligava Flávio a lavagem de dinheiro no caso Master e no filme Dark Horse. O pedido foi do PL. Para o ministro, o vídeo associava o pré-candidato a crimes “sem prova concreta”. CNN Brasil ↗
No dia seguinte, a Meta derrubou o perfil de uma série do humorista Fabio Porchat que tratava das ligações entre Master, a Igreja Lagoinha e Flávio. Horas depois, reativou a conta e disse que tinha sido um erro. Terra ↗
A investigação do STF sobre o dinheiro do filme existe e está nesta página. O que a Justiça eleitoral cobra é o jeito de contar: investigação é uma coisa, prova de crime é outra.
Até 24/09/2026, nenhum destes assuntos terminou em condenação de Flávio. Isso também não equivale a uma absolvição. Nas rachadinhas, as provas foram anuladas por falha de procedimento e o mérito nunca foi julgado. O caso Dark Horse e a Operação Emendatio seguem abertos.
Registrar fatos não é declarar culpa. Esta página mostra o que existe de documentado e a situação de cada assunto, para que o leitor acompanhe os próximos passos.
Decisões e documentos oficiais primeiro, depois reportagens de veículos com linhas editoriais diferentes. Checagem feita em 24/09/2026. Se algo mudou depois disso, vale a versão mais recente das fontes.
Todas as fotos vêm do Wikimedia Commons, com licença livre. As imagens de lugares são ilustrativas e não mostram imóveis ou lojas investigados, a não ser quando a legenda diz o contrário.
Foto oficial do senador Flávio Bolsonaro, 2019. Agência Senado / Attribution. Commons ↗
Flávio e o advogado Frederick Wassef em entrevista no Senado, 2021. Agência Senado / CC BY 2.0. Commons ↗
Loja da rede Kopenhagen em Copacabana. Não é a loja de Flávio. Eduardo P / CC BY-SA 3.0. Commons ↗
Marielle Franco, vereadora assassinada em 2018. Mídia Ninja / CC BY-SA 2.0. Commons ↗
Sambódromo do Rio, vista aérea. Donatas Dabravolskas / CC BY-SA 4.0. Commons ↗
Palácio do Supremo Tribunal Federal, Brasília. Rodrigo Rocatto / CC BY-SA 4.0. Commons ↗
Sede da Polícia Federal em Brasília. Agência Senado / CC BY 2.0. Commons ↗
Parlamentares anunciam pedido de CPI mista sobre o Banco Master, fev. 2026. Senado Federal / CC BY-SA 4.0. Commons ↗
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em 2024. Márcio Gustavo Vasconcelos / CC0. Commons ↗
Eduardo Bolsonaro na Câmara dos Deputados, 2019. Michel Jesus/Câmara dos Deputados / CC BY 3.0. Commons ↗
André Mendonça, ministro do STF e relator do inquérito. Luis Macedo/Câmara dos Deputados / CC BY 3.0. Commons ↗
Sala da CPI da Pandemia no Senado, 2021. Senado Federal / CC BY 2.0. Commons ↗
Palácio Tiradentes, antiga sede da Assembleia do Rio. Wilfredor / CC0. Commons ↗
Jato Embraer Legacy 650, mesmo modelo do voo. Não é o avião usado por Flávio. DearEdward from New York, NY, USA / CC BY 2.0. Commons ↗
Kassio Nunes Marques, ministro do STF e do TSE. Marcos Corrêa/PR / CC BY 2.0. Commons ↗