Dark Horse é um filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro pediu a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, dinheiro para a produção. Em 22 de julho de 2026, o ministro André Mendonça, do STF, autorizou inquérito da PF para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Há delação homologada e mensagens apreendidas. Ninguém foi denunciado até agora.
Sob investigaçãoPasta 4 · Brasil e EUA · 2025 a 2026Atualizado em 25/09/2026
Dono do Banco Master. Foi preso pela PF em novembro de 2025, quando o banco foi liquidado. Investigado por fraudes no banco.
Banco Master
Banco liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025.
Dark Horse
Filme sobre a vida de Jair Bolsonaro, com Jim Caviezel no papel principal.
Fundo Havengate
Fundo no Texas controlado por Paulo Calixto, advogado próximo de Eduardo Bolsonaro. Segundo a PF, ficou quase quatro anos parado antes de receber o dinheiro.
Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”
Dono da Entre Investimentos, apontado como operador financeiro de Vorcaro. Delator.
André Mendonça
Ministro do STF, relator do caso Master e do inquérito sobre o filme.
Os fatos, um a um
11SOB INVESTIGAÇÃO
O financiamento do filme Dark Horse
“Dark Horse” é um filme sobre a vida de Jair Bolsonaro, com o ator americano Jim Caviezel no papel principal. Em maio de 2026, o site Intercept Brasil revelou que Flávio negociou com o banqueiro Daniel Vorcaro dinheiro para a produção. Flávio primeiro negou. Depois confirmou que buscou “patrocínio privado” de Vorcaro.
Segundo as reportagens, o pedido total chegou a cerca de R$ 134 milhões, e pelo menos R$ 61 milhões teriam sido repassados em 2025 por empresas e fundos intermediários. O relatório da PF diz que conversas no celular de Vorcaro atribuem a Flávio um pedido de US$ 24 milhões, e que Flávio cobrava os repasses diretamente, participava de reuniões e acompanhava as gravações. Em 22 de outubro de 2025, segundo a PF, ele pressionou Vorcaro dizendo que a produção estava “no limite”.
Em 22 de julho de 2026, o ministro André Mendonça, do STF, abriu inquérito a pedido da PF e com aval da Procuradoria-Geral da República. A notícia veio a público em 10 de setembro. As suspeitas são de lavagem de dinheiro, evasão de divisas (tirar dinheiro do país sem declarar) e corrupção. Flávio diz que o dinheiro foi todo para o filme, que é privado, sem um centavo público, e nega ter oferecido qualquer vantagem.
André Mendonça, ministro do STF e relator do inquérito. Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados / CC BY 3.0
Daniel Vorcaro era o dono do Banco Master. Ele foi preso pela Polícia Federal em novembro de 2025, no mesmo momento em que o Banco Central mandou fechar o banco. O celular dele foi apreendido, e é de lá que saiu boa parte das mensagens que hoje estão no inquérito do filme.
Vorcaro é investigado pelas fraudes do banco. No caso do filme, a pergunta da polícia é outra: por que ele mandou tanto dinheiro, por quais caminhos e se houve algo em troca.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em 2024. Foto: Márcio Gustavo Vasconcelos / CC0
Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master, que é o fechamento forçado de um banco com problemas graves. Nesses casos, o Fundo Garantidor de Créditos devolve aos clientes até R$ 250 mil por CPF.
O Master é investigado por fraudes que atingiram investidores e fundos de previdência. Em 2026, parlamentares pediram uma CPI mista sobre o caso. O inquérito que envolve Flávio trata do dinheiro que saiu de Vorcaro para o filme.
Parlamentares anunciam pedido de CPI mista sobre o Banco Master, fev. 2026. Foto: Senado Federal / CC BY-SA 4.0
A delação de Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”
Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, é dono da Entre Investimentos e Participações e é apontado como operador financeiro de Vorcaro. Ele fez um acordo de delação premiada, que é quando um investigado conta o que sabe em troca de benefícios na pena. O acordo foi homologado, ou seja, validado, pelo ministro André Mendonça em 9 de setembro de 2026.
Na delação, Mineiro disse que mandou US$ 12,3 milhões, cerca de R$ 69 milhões, em sete transferências ao longo de 2025, para um fundo chamado Havengate, no Texas. Segundo ele, os pagamentos foram feitos a pedido de Vorcaro. O dinheiro foi para o fundo, e não para uma conta pessoal de Flávio.
O Havengate Development Fund fica no Texas e é controlado por Paulo Calixto, advogado próximo de Eduardo Bolsonaro. Foi criado em 2020 para um negócio imobiliário e, segundo a PF, ficou “operacionalmente inerte” por quase quatro anos.
A primeira remessa ligada ao filme chegou em 13 de fevereiro de 2025: US$ 2 milhões vindos da empresa de Mineiro. Segundo a PF, o fundo poderia receber até US$ 24 milhões de Vorcaro, e os envios pararam quando o banqueiro foi preso.
Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, vive nos Estados Unidos. O relatório da PF diz que ele deu orientações sobre como administrar lá o dinheiro destinado ao filme. A prova citada são imagens de mensagens que o publicitário Thiago Miranda encaminhou a Vorcaro.
Reportagens de maio de 2026 mostraram que Eduardo aparecia como produtor executivo do filme, cuidando de estratégia de financiamento e captação, embora antes tivesse dito que apenas cedia direitos de imagem. A investigação também quer saber se parte do dinheiro bancou atividades dele nos EUA.
Eduardo Bolsonaro na Câmara dos Deputados, 2019. Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados / CC BY 3.0
Em janeiro de 2025, um mês antes da primeira remessa ao fundo Havengate, Flávio viajou de Fort Lauderdale, na Flórida, para Brasília num jato Legacy 650. Estavam com ele a mulher, as duas filhas e o advogado e empresário Willer Tomaz, amigo da família.
O avião era operado pela Prime You, empresa que tinha Vorcaro como sócio. A informação foi revelada pela revista piauí em setembro de 2026. Flávio respondeu com ironia nas redes: “Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes”.
Em 11 de fevereiro de 2025, o publicitário e lobista Thiago Miranda mandou esta mensagem a Vorcaro: “Flavio B e Neypai estão me cobrando”. A mensagem está entre as apreendidas pela PF.
Na mesma época, Miranda tratava de dois assuntos com o banqueiro: o dinheiro do filme e uma proposta de patrocínio do Master ao Santos, que incluía R$ 15 milhões para a marca do banco na camisa do time. As respostas de Vorcaro não confirmam valores nem fechamento de acordo. Neymar da Silva Santos, o pai do jogador, e o próprio Neymar negaram envolvimento e chamaram a reportagem de falsa.
Em 8 de setembro de 2026, Mendonça afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o chefe de inteligência, alegando que relatórios de inteligência monitoravam as decisões dele. O pedido partiu de uma petição do partido Novo, depois que mensagens no celular de Vorcaro citaram “Andrei”. (Migalhas: Mendonça afasta o diretor-geral da PF (set. 2026))
Em 22 de setembro de 2026, o ministro Kassio Nunes Marques, do TSE, mandou o Instagram remover um vídeo que associava Flávio a lavagem de dinheiro no caso, por entender que não havia prova concreta. (CNN Brasil: Nunes Marques manda Instagram remover vídeo (set. 2026))
O que diz a defesa
“Estava tudo certinho.” Flávio também chamou o assunto de “página virada”.
Flávio diz que o dinheiro foi patrocínio privado para um filme privado, com “zero” dinheiro público ou da Lei Rouanet, e que os recursos foram integralmente para a produção. Nega ter oferecido vantagens.
Sob investigação. Inquérito no STF, relator André Mendonça, com delação homologada. Ninguém foi denunciado até 24 de setembro de 2026.
Perguntas frequentes
Quem é Daniel Vorcaro?
Dono do Banco Master, preso pela PF em novembro de 2025, quando o Banco Central liquidou o banco. Flávio Bolsonaro confirmou ter pedido a ele patrocínio privado para o filme Dark Horse.
O que é o caso Dark Horse?
Inquérito autorizado pelo STF em julho de 2026 sobre o dinheiro que Daniel Vorcaro mandou para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. A PF apura lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
O que é o fundo Havengate?
Fundo no Texas controlado por um advogado próximo de Eduardo Bolsonaro. Segundo o delator Antônio Carlos Freixo Júnior, recebeu US$ 12,3 milhões em sete remessas em 2025.